domingo, 9 de março de 2008

Malhação de Judas

Em Quixeré até o Judas está mais pobre. Pobre de idéias, pobre de interesse pela manutenção das tradições.
A malhação de Judas em Quixeré remonta ao inicio da década de 1940 e teve seu apogeu entre 1974 a 1988. Épocas essas em que vários comerciantes juntavam-se aos outros segmentos da sociedade para preparem a malhação do Judas. Nos primeiros tempos era esperada a visita sorrateira de alguns envolvidos na organização, que na noite de sexta-feira Santa levavam carros, carroças, bicicletas, animais plantas e tudo o mais que conseguissem levar para o sítio do Judas. Dependendo do grupo e do dono do objeto “furtado” (quando animais e frutas) nem sempre era devolvido, pois serviam para os comes e bebes na farra que se seguia após a queimação do boneco no sábado de Aleluia. Antes da queimação era lido um testamento que citava o nome dos donos dos objetos furtados, que os recebiam como herança. Esse testamento em forma de versos e rimas pobres citava os nomes dos comerciantes e das pessoas mais populares da localidade em que se promovia a malhação.
Hoje com a violência espalhada por toda parte, jamais seria possível a prática de falsos furtos. Mas, poderia ser feita a coleta em dinheiro para patrocinar as despesas na preparação do boneco e do sítio e demais gastos que a brincadeira requer.

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