Quixeré, cidade cinqüentenária do interior do Ceará. Entrevistados pela equipe os capetinhas, dona Lourdinha e Sr. José relembram dos brinquedos e brincadeiras dos anos 50 entre as crianças pobres nessa região e comentam: As meninas montavam casinhas de bonecas com caixas vazias de medicamentos, fósforos, etc. As bonecas em tamanhos diversificados, em tecido, recheadas de pluma de algodão, louras, morenas, ruivas e aparências bem acentuadas para bonecos e bonecas, do físico ao traje.
As crianças mais carentes usavam como boneca, o broto da espiga de milho em formação com suas lindas e vastas cabeleiras e até ossos que ornados com tecido sementes e papel tornavam-se personagens como família, vaqueiros, caçadores, animais, etc. Dona lourdinha diz: eu tinha uma fazenda com muito gado representado por ossos de mocotó de boi. As galinhas d’angola eram as cascas de semente de pereiro, que também servia de sela para os cavalos de barro feitos à beira da lagoa. Os porcos e cabritos eram ossos de mocotó de cabras e de porco.
O senhor José brincava de corrida de cavalos adaptados com cabeças de talo da carnaúba, estilingue também conhecido como baladeira, que servia para brincar de tiro ao alvo e matar passarinho. Fazia boiada, cavalos e burros de carga com barro à beira da lagoa, para brincar, trocar por outros brinquedos ou vender às outras crianças. Quando adolescente, jogava pião, peteca, esta era muitas vezes, improvisada com palha de milho. Também jogava sibita – jogo com pedrinhas, bolotas de barro ou bilas de vidro, que consiste em juntar várias pedrinhas e iniciar jogando uma destas para cima, pegar mais uma do monte a tempo de aparar a que vem caindo, sem largar a que está na mão. Descarta uma destas, joga a outra para cima apanha mais uma para aparar a que vem caindo. O jogo prossegue até terminar as pedras ou errar, quando será reiniciado por outro jogador. Ganha quem conseguir pegar o maior número de pedras.

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